3 de agosto de 2018

Missª. Sheila Guimarães - Como alcançar crianças especiais?


Este artigo tem por finalidade evidenciar a importância de incluir junto a sala de EBD (Escola Bíblica Dominical), os considerados portadores e/ou deficientes de necessidades especiais. Deficiência essa que pode ser física ou mental.

Como alcançar estas crianças? A grande necessidade do evangelismo infantil para as crianças especiais tem crescido muito, principalmente, dentro das igrejas É preciso lançar as redes, elas precisam da salvação em Cristo Jesus. Como alcançar suas famílias ministrando uma palavra de consolo, orientação e encorajamento? Estas crianças precisam ser amadas e aceitas. Como inserir a criança especial no ministério infantil? Como trabalhar com elas, como vivenciar na igreja a inclusão e não a exclusão? 

A inclusão escolar é muito importante, não só para as crianças com deficiência mas também para as que não tem nenhuma deficiência. As crianças com deficiência aprendem muitas coisas com as outras, se sentem motivadas a irem cada vez mais longe e as crianças "normais" são automaticamente preparadas para mais tarde conviverem com as pessoas e suas diferenças. Fato fundamental para a inclusão, pois hoje em dia boa parte do preconceito parte dos adultos e não das crianças e isso por falta de conhecimento sobre o assunto.

O que mais me preocupa é a falta de responsabilidade e humanidade em muitas pessoas que se comprometem ou simplesmente aceitam trabalhar com essas crianças, sem antes buscar em Deus a direção e busca por aperfeiçoamento e dedicação. Tendo como base o AMOR. (1Co 13). 

Que ao me ver é de fundamental importância para o Ministério Cristão. Precisamos cuidar constantemente para que eles, ou seja, essas crianças sintam-se importantes, para que sintam que são parte de um grupo, seja em casa, na escola e/ou onde estiverem.

A luz da Palavra de Deus precisamos abordar todas estas questões e situações de maneira prática, clara e objetiva, lançando também uma semente de amor no coração da igreja, de professores, líderes, amor por crianças especiais, que precisam ser amadas e atendidas com suas limitações também. 

As crianças especiais são muito amadas por Jesus! Não podemos excluí-las de forma alguma. O que elas precisam ouvir? Pastorear e preparar crianças para o futuro é conduzi-las ao novo nascimento, contando-lhes a preciosa mensagem do Evangelho. A mensagem que a criança precisa ouvir! A mensagem que toda criança precisa conhecer:

• Que Deus a ama com imenso amor – João 3:16.
• Que ela tem um problema (doença, necessidade) – Romanos 3:23; 6:23.
• Que só há uma solução (remédio, provisão) para o seu problema – Atos 4:12; 1 Coríntios 15:3,4; 1 Timóteo 2:5.
• Que ela precisa apropriar-se de Cristo (recebê-lo) – João 1:12,13.
• Que a salvação é unicamente pela graça imerecida de Deus - Efésios 2:8,9.
• Que a salvação é eterna (segurança) – João 10:28-29; 1 João 5:11-12.

É preciso levar a criança a reconciliar-se com Deus, reconhecendo que é pecadora, buscando o perdão e confiando no sacrifício de Cristo realizado na cruz do Calvário, pois “o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1 João 1:7).

Para se desenvolver a criança necessita incorporar e integrar as ferramentas de relação com os outros. A criança não aprende por si própria nem é a arquiteta exclusiva da sua evolução, ela aprende essencialmente dos outros, através da sua relação com eles.

Pais e mães são os primeiros, os principais e mais duradouros educadores de suas crianças. Quando pais e profissionais trabalham juntos durante a infância, os resultados têm um impacto positivo no desenvolvimento da criança e na sua aprendizagem. Então, cada etapa do desenvolvimento deve buscar uma parceria efetiva com os pais.

Nos trabalhos de estimulação, os pais aprendem com diversos profissionais de diferentes áreas a estimular a criança, pois, quanto mais cedo haver o estímulo mais ativa a criança se tornará, conseguindo atingir suas capacidades.

A finalidade da estimulação precoce deve ser que a criança gere sua própria personalidade, sua situação familiar, social e eclesiástica.

O apoio individual oferecido para favorecer a aquisição de habilidades adaptativas pode ter lugar na família, em entidades públicas ou particulares, em outros ambientes e programas comunitários e ambientes eclesiásticos.

Nesses locais percebe-se a importância de profissionais como os fonoaudiólogos que estudam e tratam os problemas de linguagem e de estruturação oral facial, que permitem a criança sugar, deglutir, mastigar, engolir, mecanismos estes necessários para falar, se comunicar com o próximo.

O serviço social é considerado o centro de apoio da equipe multidisciplinar e realiza trabalhos voltados a integração da família e da escola com terapeutas, apoiando no enfrentamento de problemas de origem familiar, financeiro, social ou profissional, busca também formar convênios, captar recursos e capacitar as mães.

Formular e promover estratégias que visem favorecer o desenvolvimento cognitivo, levando em consideração todos os outros aspectos que interferem no desenvolvimento global da criança é papel do pedagogo, eles usam como estímulo uma série de exercícios para desenvolver as capacidades da criança, respeitando a fase de desenvolvimento que ela se encontra, enfatizando a área cognitiva e sócio-perceptiva.

Assim como o ambiente eclesiástico que a família frequente será de fundamental importância e apoio para a integração da família e igreja.

Nem todos os alunos com deficiência terão, na realidade necessidades educacionais especiais. Os professores devem adotar ações especificas para tornar possível a participação efetiva de alunos portadores de necessidades educacionais especiais por meio de:

- planejamento de tempo suficiente para permitir a conclusão satisfatória de tarefas;
- planejamento de oportunidades que sejam necessárias ao desenvolvimento de habilidades em aspectos práticos do currículo;
- identificação dos aspectos do programa de estudo e de metas de aquisição escolar que possam apresentar dificuldade.

O planejamento de atividades e de rotina de trabalhos seja no âmbito familiar, escolar ou eclesiástico cria ambiente acolhedores e agradáveis, facilitando a criança uma aprendizagem pela convivência e experiências com o outro e também com afeição, amor e paciência; especificas para os indivíduos.

Todas as crianças portadoras de necessidades especiais ou não experimentarão diversas etapas de desenvolvimento, por isso, deve-se reconhecer e motivar o potencial de cada uma individualmente, e apresentar-lhe objetivos e atividades adequadas que fortaleçam sua autoestima, iniciativa e aprendizagem, pois isso constituirá a base do seu desenvolvimento futuro.

Quase todas as crianças, desde o nascimento estão imersas em ambientes de afeto e proteção, essenciais para seu crescimento físico e desenvolvimento de suas capacidades. Essas primeiras relações se manifestam com sorrisos, choro, abraços, carícias, assim por meio desses códigos a criança vai criando vínculos de relacionamento, iniciando um processo de socialização. 

Levando em conta as necessidades que os seres humanos têm ao nascer (alimentação, cuidados higiênicos, proteção frente a perigos, exploração do meio), necessidades estas que somente serão resolvidas através da relação com outras pessoas, essa interação lhe permitirá resolver e amadurecer todo seu potencial biogenético.

É importante sabermos o quanto é necessário compreender as limitações dos indivíduos com necessidades especiais, juntamente com os indivíduos "normais". Havendo essa compreensão, maior será a interação dos portadores de necessidades especiais e a aceitação será mais fácil, pois, haverá maior valorização facilitando a entrada desses indivíduos na sociedade e mais tarde, no mercado de trabalho e ambiente no meio eclesiástico no qual ele estará inserido. A base para toda e qualquer função ministerial e/ou profissional está em 1 Coríntios 13, o Amor, que é a maior expressão de Deus com a humanidade.

Os desafios serão constantes, assim como a falta de pessoas que disponham e se preparem para o serviço. Não é apenas afirmar que a EBD seja para todos(as), mas criar condições para que todos(as) realmente se sintam bem-vindos(as), amados(as) e incluídos(as).

Especialmente ensinando-os(as) a lidar com a sua INTEGRALIDADE, seja qual for a sua condição e contexto. Para que a EBD seja espaço de APRENDIZAGEM, de CRESCIMENTO e de ACOLHIMENTO deve, antes de tudo, ensinar o ser humano a APRENDER a CONHECER, a FAZER, a RELACIONAR-SE e a SER, incluindo nessas aprendizagens os valores e os princípios cristãos.

São APRENDIZAGENS essenciais à vida como um todo, mas dependerão do modelo de EBD que pretendemos ter e da prática de ensino pela qual fizermos opção. 

É fato que a natureza humana é bem mais ampla, complexa e não apenas espiritual, mas também CORPO, ALMA e MENTE, partes que formam um todo indissociável.


Sheila Guimarães
(Juiza de Paz, Missionária e Blogueira)

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